Quarta-feira , Rio De Janeiro. Era uma caminhada normal, simples se não fosse pela neblina que cobriu boa parte da região desde as primeiras horas do dia. Era possível notar os vários grupos populares distribuídos na orla da praia, fato que passaria despercebido se não fosse pela hora, quase 17:43. Todos estáticos olhavam para cima, uns cobriam os olhos com as mãos fingindo enxergar através do nevoeiro, outros discutiam o descaso que o tempo fazia em ofuscar o fenômeno. Mas o que me chamou atenção estava com os pés presos no chão, ou quase.
Um menino de uns 7 anos em seus trajes de banho, dando os primeiros passos dentro da água, a certeza que ele trazia em cada passo era balanceada pela duvida e admiração com que seus olhos voltavam aos da mãe, uma mulher cabisbaixa com um sorriso segurando o menino pelo braço, firme e forte, para resistir ao balanço compassado das ondas, que seguiam de uma espuma branca quase que mágica. O menino senta na areia com a sua mãe ainda de pé, o silencio veda os sorrisos, e as palavras interrompem o silencio: “ Mãe, de onde vem as ondas? “ era quase perceptível que a dúvida que pairava no rosto da mãe era entre dizer aquilo fisicamente ou dizer aquilo de uma maneira que o marcasse pro resto da vida. Ela respirou fundo, sentou com a sua canga na areia úmida, colocando os braços em volta dele e respondeu: “ As ondas vem dos lábios de Deus, toda as vezes em que ele assopra algo, pra dizer que nada termina, tudo um dia volta”, fechando os olhos a mãe não vira que talvez naquela idade o menino não percebeu a intensidade de suas palavras. Foi ai que notei que eles não ligavam para nevoeiro, para eclipse, ou para qualquer outra coisa no mundo, eram só eles e o mar. Foi ai que eu pensei que talvez a eternidade pudesse ser construída em 23 palavras pronunciadas em 20 segundos.
Esbarros em meu ombro me tiraram a atenção, quando dei por mim, tudo já era uma festa, pessoas aplaudindo e gritando, contrastando com bocas caladas e olhos lacrimejados, meu relógio já marcava 17:52, e eu me perdi dos dois voltando para casa. Pensando que para quem nunca tinha visto a imensidão do mar a dois, o que era um simples eclipse?
- cronica feita pela proposta da aula de português do dia 23/03/2011Um menino de uns 7 anos em seus trajes de banho, dando os primeiros passos dentro da água, a certeza que ele trazia em cada passo era balanceada pela duvida e admiração com que seus olhos voltavam aos da mãe, uma mulher cabisbaixa com um sorriso segurando o menino pelo braço, firme e forte, para resistir ao balanço compassado das ondas, que seguiam de uma espuma branca quase que mágica. O menino senta na areia com a sua mãe ainda de pé, o silencio veda os sorrisos, e as palavras interrompem o silencio: “ Mãe, de onde vem as ondas? “ era quase perceptível que a dúvida que pairava no rosto da mãe era entre dizer aquilo fisicamente ou dizer aquilo de uma maneira que o marcasse pro resto da vida. Ela respirou fundo, sentou com a sua canga na areia úmida, colocando os braços em volta dele e respondeu: “ As ondas vem dos lábios de Deus, toda as vezes em que ele assopra algo, pra dizer que nada termina, tudo um dia volta”, fechando os olhos a mãe não vira que talvez naquela idade o menino não percebeu a intensidade de suas palavras. Foi ai que notei que eles não ligavam para nevoeiro, para eclipse, ou para qualquer outra coisa no mundo, eram só eles e o mar. Foi ai que eu pensei que talvez a eternidade pudesse ser construída em 23 palavras pronunciadas em 20 segundos.
Esbarros em meu ombro me tiraram a atenção, quando dei por mim, tudo já era uma festa, pessoas aplaudindo e gritando, contrastando com bocas caladas e olhos lacrimejados, meu relógio já marcava 17:52, e eu me perdi dos dois voltando para casa. Pensando que para quem nunca tinha visto a imensidão do mar a dois, o que era um simples eclipse?
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